Sistema de Nomeação de Tempestades Atlânticas

As tempestades, o tempo farrusco, com chuva e vento fazem parte desta altura do ano, mas com nomes? Faz sentido dar um nome específico sempre que vem um bocadinho de mau tempo? Regral Geral: Não, mas já explicamos.

Então mas...

Já deves ter reparado que são mais os dias em que chove sem apelido do que os dias que chove com apelido? É precisamente por aqui que vou começar. Sempre que exista um sistema depressionário, o nome científico dado a uma tempestade que passa em território nacional, por norma proveniente do Atlântico Norte, existe um acompanhamento por parte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), sendo que é, esta instituição pública, a responsável por monitorizar essas tempestades. 

Caso alguma destas tempestades seja “demasiado forte”, e isso é ou pode ser visível nas Cartas de Superfície – Modelos Numéricos de Previsão (que já falámos aqui), Imagens de Satélite e/ou Imagens de Radar, é emitido ou são emitidos avisos meteorológicos. É precisamente na altura em que são emitidos avisos de nível laranja ou vermelho, que se dá início à nomeação da tempestade, respeitando uma lista previamente aprovada entre o IPMA e mais três congéneres europeias.

Nomeação de Tempestades Atlânticas

Porque é que se decidiu atribuir nomes a tempestades, depressões, e ciclones tropicais? – Porque é mais simples de recordar por todos (Quem não se lembra do #LesliePT?) e permite uma uniformidade entre territórios distintos, visto que estes fenómenos meterológicos adversos, não conhecem fronteiras.

A nomeação de tempestades no Atlântico Norte, como referido atrás, por norma, é realizada por acordo entre, institutos governamentais de meteorologia pertencentes ao Grupo Europeu do Sudoeste, a saber: o IPMA, a AEMET (Espanha) , a Meteo-France e o IRM (Bélgica). Este acordo ao qual se juntou neste ano de 2019 a Bélgica, e que teve o seu início em dezembro de 2017, tem a particularidade de ter em conta, as diferentes características de emissão de avisos meteorológicos de País para País, e prevê que “o primeiro serviço meteorológico a içar um aviso laranja e/ou vermelho de velocidade do vento e/ou rajada durante a passagem de uma tempestade ou sistema depressionário dará o nome à tempestade/depressão, sendo que após serem nomeadas, mantêm o nome durante toda a sua deslocação e até terminarem” (IPMA, 2017). 

A nomeação de tempestades Atlânticas por parte do Grupo Europeu do Sudoeste, está coordenação com entidades que compõem o Grupo Oeste Europeu para o Atlântico Norte: Met Office (Reino Unido),  Met Éireann (Irlanda) e KNMI (Holanda).

Lista de Tempestades para 2019/2020

Amelie, Bernardo, Cecilia, Daniel, Elsa, Fabien, Gloria, Herve, Ines, Jorge, Karine, 

Leon, Myriam, Norberto, Odette, Prosper, Raquel, Simon, Teresa, Valentin, Wanda

E os Furacões?

No caso dos furacões, com uma temporada que, por norma, começa a 1 de junho e termina a 30 de novembro, é o National Hurricane Center (NHC), sediado em Miami, o responsável por acompanhar de perto, a evolução de pertubações que possam dar origem a sistemas tropicais com uma evolução mais séria, conhecidos por Furacões ou Ciclones Tropicais, e assim nomear em exclusivo, de acordo com uma lista também previamente escrita mas diferente daquela que é usada em tempestades de “inverno”.

É ao NHC que compete a vigilância e monitorização de toda a zona do Oceano Atlântico norte, Golfo do México, Mar das Caraíbas e Oceano Pacífico nordeste, pois é designado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) como Centro Meteorológico Regional Especializado. 

Mais umas notas...

As listas dos ciclones tropicais são “recicladas” a cada seis anos e obedecem a uma ordem alfabética. Na Ásia além de nomes de pessoas usam nomes de flores e animais (No Japão tiveram o furacão Kujira que quer dizer baleia); e as letras Q, U, X, Y e Z não são usadas.

Quando estamos perante um sistema tropical extremamente desvastador, por exemplo, o Furacão Katrina em 2005, o nome desse sistema tropical deixa de constar em qualquer nova lista, reciclada ou não, devido ao potencial recordatório do nome associado, a tal tempestade, que passou em dado local.

O mesmo príncipio não está previsto, por agora, ao sistema de nomeação de tempestades dita de “inverno” do Atlântico Norte, porque o seu nível de perigosidade é muito diferente de um sistema tropical, mas não invalida que o mesmo não seja considerado sério devidos aos danos, também sérios, que pode causar, por exemplo, a ciclogénese explosiva #GONG, em janeiro de 2013.

Este tipo de depressão, caracteriza-se por uma descida rápida da pressão barométrica em 20hPA, em menos de 24 horas. No caso da tempestade #GONG, a depressão registou uma descida de pressão de 28hPa. Esta situação meteorológica originou uma situação de temporal de vento muito forte ou excecionalmente forte em todo o território, em especial nas regiões Centro e Sul, atingindo-se rajadas superiores a 100 km/h em quase todo o território” (IPMA, 2013).

Sistema de Nomeação de Tempestades Atlânticas
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